No último sábado, esteve em Teutônia, a banda porto-alegrense The Polainas. Uma banda sensacional! Interpretando clássicos dos anos 80, a The Polainas subiu ao palco do Ginásio da Associação dos Funcionários da Languiru, para tocar para no máximo 100 pessoas. Lamentavelmente, o ginásio estava vazio.
Mas isso não me impediu de curtir cada acorde, cada música, cada batida. Depois do Ira!, esse foi o melhor show que já vi. Acredito que seja a melhor banda que já tocou em Teutônia. Ao mesmo tempo que me engrandeço por ter presenciado tal apresentação, fico decepcionada, mais uma vez, com o povo teutoniense. Talvz os organizadores do evento tenham pecado na divulgação do mesmo, mas o povo daqui não sabe apreciar boa música.
Fico pensando também, como deve ter sido para a banda subir ao palco com o ginásio daquele jeito. Acredito que não há coisa pior para uma banda do que falta de público. Mesmo assim, eles arrasaram! Sintonia total entre eles. Vocalistas afinados. Backing vocal perfeito. Guitarras afinadíssimas com um timbre maravilhoso. Um show que deu de dez em muita banda que acha que toca muito!
Com exceção do tecladista, que fez uma piadinha muito chata sobre que não sabíamos o que é New Order – a gente conhece, tá? – , a banda toda foi muito atenciosa. Principalmente, o Tchê Gomes – ex-integrante da TNT – e a Gaby – vocalista.

Cara, eu estava mesmo precisando de uma festa boa assim pra dançar. Revitalizante!!!!
A seguir, matéria de minha autoria sobre a The Polainas, publicada na Revista Radar do mês de Dezembro:
> Neste mês, a banda The Polainas, de Porto Alegre, estará presente durante a programação de encerramento do Regional Sicredi, organizado pela Associação Esportiva de Integração Regional – ASSINE. A banda The Polainas, que está na estrada há dois anos, interpreta músicas do pop rock nacional e internacional dos anos 80. Com arranjos originais e performances divertidas, a banda faz covers de ícones como Madonna, David Bowie, Michael Jackson, Kid Abelha, The Police e Roxette.
Conversamos, por telefone, com o idealizador da banda, “Tchê Gomes”, ex-guitarrista da lendária banda gaúcha TNT. Confira abaixo o bate-papo com esse ídolo do rock gaúcho e descubra porque você não pode perder o show da banda The Polainas, no dia 19 deste mês, no ginásio da Languiru.
.
Quem é a The Polainas?
“A Banda The Polainas é, essencialmente, intérprete de clássicos da música Pop dos anos 80. Coloquei isso como meta, como fator importante para que eu pudesse vender a banda. Inclusive, porque é uma banda usualmente chamada de “cover”. Às vezes até de uma maneira pejorativa. Acho que até no âmbito do circuito dos próprios músicos. Mas o fato é que, quando começou a banda, a gente tinha no repertório algumas coisas que saíam um pouco dos anos 80 e acabamos percebendo que se não fechássemos esse foco, nós estaríamos sempre abertos para eventualmente ter de colocar alguma música que acabou de ser lançada no rádio, que estreou na Mtv ou que apareceu na novela. Então, por um lado, facilita um pouco a maneira de definir a banda e ao mesmo tempo faz com que a banda toque em lugares mais específicos, como festas temáticas. Então, somos uma banda que interpreta só clássicos dos anos 80.”
.
Breve histórico de cada integrante:
“TCHÊ” GOMES: “Sou músico desde a década de 80. Fui, por muito tempo, guitarrista da banda TNT. Compus algumas músicas junto com o Charles Master, tendo algumas feito bastante sucesso, como ‘Não sei’, ‘A irmã do Doctor Robert’, ‘Nunca mais voltar’. Sou autor dessas músicas e cantei algumas delas no TNT. De toda a trajetória, do primeiro disco em 1986 até o último LP em 1993, onde a gente ainda era contratado pela BM&G, eu estive presente. Fiz uma carreira nessa banda de rock que acabou sendo super conhecida e referente na história do rock gaúcho.
Atualmente sou também guitarrista da Tenente Cascavel, que é uma banda que juntou o repertório de TNT e Cascavelletes. Então, divido meu tempo com a administração da Tenente Cascavel, com a The Polainas e ainda dou aulas de guitarra. Dar aula é muito gratificante e me dá um prazer enorme. Faço isso a algum tempo, mas hoje me sinto muito mais a vontade porque cheguei num patamar artístico, em que eu preciso dividir o que aprendi como instrumentista com as pessoas, com quem tiver vontade e interesse de aprender.”
MARCOS CHABACO: “O baterista é um músico que também toca com outros artistas aqui do Sul. É o baterista do Catuípe. Já acompanhou outras bandas também que fazem bailes e festas em clubes. É um cara que, quando entrou na banda, justamente por ele ter essa estrada de músico de baile, automaticamente se encaixou e se adequou ao nosso repertório. É um cara que eu já conhecia a muito tempo também. Inclusive, ele foi hold da TNT nos anos 90. É um grande músico.”
OTÁVIO MASTROBERTI: “Ele é o tecladista e cuida de toda a parte dos sons eletrônicos. Ele já tocou com bandas de cover que já fizeram muito sucesso, que praticamente abriram esse tipo de mercado aqui em Porto Alegre, que tocaram muito no Bar Opinião.”
DANIEL PIETA: “É o contra-baixista e cantor da banda. Já foi vocalista da Rola Stones, já teve outras bandas covers, por exemplo de Beattles. Enfim, já trabalhou com outros artistas de Porto Alegre.”
GABY: “É a cantora principal da banda e é uma das organizadoras e também posso dizer que ela chega até a ser uma mentora dessa qualidade que a banda tem de tocar músicas dos anos 80. Ela foi uma que bateu muito o pé na hora de definir e tocar o repertório que temos hoje.
Então, somos cinco integrantes. Cada um com uma trajetória de mais 15 anos de música.”
.
Como tem sido a trajetória da banda?
“Nós estreamos em novembro de 2007. Estamos com dois anos de banda. Tivemos uma trajetória belíssima até agora. Em pouco tempo a gente conseguiu registrar o nome The Polainas como uma banda que tem um bom show, um bom repertório; uma banda que faz uma festa super animada. Eu acabo chegando à conclusão de que a gente tem realmente feito um bom trabalho. Até porque Porto Alegre é uma cidade que, atualmente, tem muitas bandas, é um mercado muito concorrido. Somos uma banda contratada de uma casa, em que a gente toca 4 vezes ao mês. E dá pra contar nos dedos de uma mão bandas que tem a sorte de ter um lugar fixo pra tocar, onde se paga um cachê muito generoso, onde nós somos tratados com muito respeito. Então, temos uma trajetória de dois anos com muito êxito.
Me sinto muito orgulhoso de ter conseguido reunir esse grupo, que começou a se juntar, porque, primeiramente, eram pessoas que tinham uma qualidade artística e que iriam contribuir para um bom resultado. E é o que está acontecendo.”
.
Por que o nome The Polainas?
“Bah, guria, vou te contar um
a pequena historinha. Meu compadre tem um amigo que, de vez em quando, vai nos churrascos, nos nossos encontros. Ele é um cara que, dentro daquele grupo de amigos – pessoal também ligado à música e tal – eventualmente acaba sugerindo nomes à algumas bandas. Aquelas ideias malucas de noitadas, de festas, em que o cara abre a boca e sai um nome bom de banda. Um dia a gente estava em uma destas festas e se comentou que esta pessoa teria dado um nome para uma banda de pagode, praticamente de uma hora pra outra: 37 não é febre. Eu fiquei pensando nesse nome, porque é uma coisa lógica e tem uma explicação. De fato, 37 não é febre. E quando a gente já estava ensaiando e eu precisava arranjar um nome pra banda, pensava em dar um nome que tivesse coerência com a proposta de trabalho que a gente estava desenvolvendo, que é colocar as pessoas para dançar. Então, pensei em alguma coisa que tivesse a ver com ‘esquentar as canelas’, porque quando a gente dança, a gente esquenta as canelas. E cheguei à conclusão de que as polainas esquentam as canelas. Na verdade, demorei bastante tempo pra engolir esse nome, apesar de ser uma sugestão minha. Mas o pessoal todo adorou e tá aí. Tá se encaixando, as pessoas gravam rapidamente e é um nome engraçado. Tem um fator que também contribui que é o fato de que polaina é uma peça bem característica daquela fase oitentista.”
.
Onde e como são os ensaios?
“Atualmente a gente não tem muitos encontros na semana porque todos nós temos outras atividades musicais. Como, em todo o final de semana temos show naquela casa que falei, nos comunicamos através da internet e por torpedos através do celular. Mandamos links das músicas escolhidas pra tocar no show – não mais do que duas. No dia do show a gente vai antes para o o local e chegamos com a música pronta. A gente ensaia umas duas vezes e vamo embora pro show. Já teve casos em que a gente nem passou a música antes, tocando ela direto. Então, isso é um baita de um desafio. É uma qualidade que a gente adquiriu e é um trabalho de confiança: a gente define as músicas e corre pro show pra tocar.”
.
Isso só é possível devido ao excelente entrosamento entre vocês, certo?
“Ah, isso é muito importante. A gente tá tocando há dois anos e a banda sofreu algumas alterações desde o nosso início. Tocar todos os finais de semana – e a gente faz isso – dá uma cancha muito grande para o artista. Todos nós estudamos os nossos instrumentos diariamente. A vocalista cuida da voz, tem uma orientadora profissional da área da fonoaudiologia. A gente cuida do nosso trabalho, da nossa saúde física e mental. Isso tudo contribui para formemos um ótimo grupo de trabalho. Claro que enfrentamos problemas eventualmente. Com frequência a gente tenta fazer conversas, encontros, para poder redefinir metas. Mas acho que até agora está tudo dando certo.”
.
Em relação a músicas próprias? Existe esta pretensão? Ou músicas covers é o único caminho?
“No ano passado, nós gravamos três covers – uma delas está no You Tube, é só procurar por The Polainas – que foi um passo inicial. Para o ano que vem, nossa meta é gravar uma ou duas músicas para dar um ponta a pé nesse projeto de gravar músicas autorais. Ainda não sabemos se iremos gravar músicas de composições nossas. Porque, por exemplo, eu componho, mas meu trabalho de composição não tem o perfil dos The Polainas. Nossa ideia é coletar material de amigos nossos. O Serginho Moah é um exemplo. Ele é um cara que está nos ‘devendo’ uma música de autoria dele, pra criarmos um link e ele é um amigão nosso. Temos vários amigos como Acústicos e Valvulados, Nenhum de Nós. Enfim,várias bandas de Porto Alegre. Então, a gente quer tentar puxar um material desses artistas para poder colocar a nossa cara e fazer uma aposta. Acho que a música autoral pode criar um outro grande leque para nós. É algo em que estou acreditando muito para o ano que vem. Acho que até o final do primeiro semestre teremos alguma novidade nesse sentido.”
.
Além da própria vontade de vocês, quem é o responsável por dar aquele gás para subir no palco e arrasar?
“Praticamente em todo final de apresentação existe manifestação das pessoas de que a nossa banda é a melhor banda de cover de Porto Alegre. Claro que isso é um respaldo do público. Então, isso é algo que me infla muito. Isso é o que me dá vontade de continuar fazendo e arriscando. É o resultado de um trabalho que está sendo feito com seriedade, com carinho, com muito amor e com muita responsabilidade. Cachê bacana, agenda cheia é só resultado disso tudo que estou falando. Quando percebo esse ‘feed back’ do público é o sinal de que a coisa está indo certo. Acho que a pilha mais forte que tenho é a do público que nos assiste, que nos acompanha, que manda mensagem, que sugere música.”
.
O que a banda não toparia?
“Vou te dizer uma coisa que a gente não topou há poucos dias. Como nossa banda só toca anos 80, uma casa muito bacana de Porto Alegre que nos contratou para tocar umas três vezes durante o ano em festas temáticas. Há alguns dias, um agente da casa me procurou e me disse que queriam uma banda que tocasse músicas do Rappa, Marisa Monte. Eles queriam um repertório Brasil contemporâneo. Gostaram tanto de nós que gostariam de nos ver tocando esse tipo de música. Além disso, o agente me propôs mudar o nome da banda para fazer aquela apresentação. Claro que recebi a proposta dele e não foi uma ofensa pra mim. Mas quando passei isso para o grupo, senti que ficaram um pouco ofendidos. Então acho que o que não faríamos, atualmente, é justamente abandonar esse perfil que resolvemos adotar e que está dando certo. Se fugíssemos do que nos propomos a fazer, estaríamos puxando o nosso próprio tapete.”
.
Como tu vês o mercado de trabalho para bandas do estilo anos 80?
“Eu vejo de uma maneira bem simples. Como eu já falei, na metade dos anos 80 eu já tocava e o que eu vi em todo esse tempo é que isso é um ciclo interminável. Vemos coisas acontecendo, coisas sendo descobertas. Essa linguagem tem um ápice, depois decai. Daqui a pouco a mídia descobre no gueto coisas novas e o que era gueto vira popular. E depois cai de novo. Acho que a coisa não para. É sempre assim, em ciclo. E de uma fase para outra, o que eu vejo é que as linguagens musicas vão absorvendo umas às outras. Por exemplo, os Acústicos e Valvulados são da década de 90, com características e influências de bandas de rock doas anos 80 – TNT é uma delas. Quando chegaram ao pico, eu percebi que tinha alguma coisa para aprender com aquilo. Comecei a criar uma paixão grande pela arte que os guris estavam fazendo e aquilo influenciou, de alguma maneira, na música que vim a fazer depois. Então, é uma corrente enorme de influências, de ideias e de comunicação que anda como se fosse numa montanha russa. E essa minha maneira de ver me ajuda muito a lidar com essas fases onde a curva está lá em baixo. O artista é assim. Vive de altos e baixos.”
.
Qual o perfil do fã do The Polainas?
“Diria que a faixa etária é de 25 anos para cima. Só que nos shows, a gente vê que tem uma gurizada nova não acreditando no que está vendo, que está gostando muito. As pessoas às vezes vão ao show do The Polainas a minha procura, ‘o Tchê, aquele guitarrista do TNT’, e se deparam com uma coisa totalmente nova e surpreendente. Isso encanta. É um público jovem que está descobrindo essas músicas que estamos revitalizando.”
.
Qual a freqüência de shows no interior?
“No ano passado eu estava conseguindo agendar uma m
édia de dois/três shows por mês. Mas como desde março deste ano tem um contrato naquela casa de show que falei, relaxei e não vendi mais show e não fiz mais contatos. São raras as vezes que eu abro uma exceção para ir tocar. No caso de Teutônia, é bem especial. Numa festa, da qualidade que vai ter, eu me vi bem inclinado a criar condição e dar uma oportunidade para que viesse a acontecer. Estamos muito contentes e vai ser muito bacana.”
Neste mês, a banda The Polainas, de Porto Alegre, estará presente durante a programação de encerramento do Regional Sicredi, organizado pela Associação Esportiva de Integração Regional – ASSINE. A banda The Polainas, que está na estrada há dois anos, interpreta músicas do pop rock nacional e internacional dos anos 80. Com arranjos originais e performances divertidas, a banda faz covers de ícones como Madonna, David Bowie, Michael Jackson, Kid Abelha, The Police e Roxette.
Conversamos, por telefone, com o idealizador da banda, “Tchê Gomes”, ex-guitarrista da lendária banda gaúcha TNT. Confira abaixo o bate-papo com esse ídolo do rock gaúcho e descubra porque você não pode perder o show da banda The Polainas, no dia 19 deste mês, no ginásio da Languiru.
Quem é a The Polainas?
“A Banda The Polainas é, essencialmente, intérprete de clássicos da música Pop dos anos 80. Coloquei isso como meta, como fator importante para que eu pudesse vender a banda. Inclusive, porque é uma banda usualmente chamada de “cover”. Às vezes até de uma maneira pejorativa. Acho que até no âmbito do circuito dos próprios músicos. Mas o fato é que, quando começou a banda, a gente tinha no repertório algumas coisas que saíam um pouco dos anos 80 e acabamos percebendo que se não fechássemos esse foco, nós estaríamos sempre abertos para eventualmente ter de colocar alguma música que acabou de ser lançada no rádio, que estreou na Mtv ou que apareceu na novela. Então, por um lado, facilita um pouco a maneira de definir a banda e ao mesmo tempo faz com que a banda toque em lugares mais específicos, como festas temáticas. Então, somos uma banda que interpreta só clássicos dos anos 80.”
Breve histórico de cada integrante:
“TCHÊ” GOMES: “Sou músico desde a década de 80. Fui, por muito tempo, guitarrista da banda TNT. Compus algumas músicas junto com o Charles Master, tendo algumas feito bastante sucesso, como ‘Não sei’, ‘A irmã do Doctor Robert’, ‘Nunca mais voltar’. Sou autor dessas músicas e cantei algumas delas no TNT. De toda a trajetória, do primeiro disco em 1986 até o último LP em 1993, onde a gente ainda era contratado pela BM&G, eu estive presente. Fiz uma carreira nessa banda de rock que acabou sendo super conhecida e referente na história do rock gaúcho.
Atualmente sou também guitarrista da Tenente Cascavel, que é uma banda que juntou o repertório de TNT e Cascavelletes. Então, divido meu tempo com a administração da Tenente Cascavel, com a The Polainas e ainda dou aulas de guitarra. Dar aula é muito gratificante e me dá um prazer enorme. Faço isso a algum tempo, mas hoje me sinto muito mais a vontade porque cheguei num patamar artístico, em que eu preciso dividir o que aprendi como instrumentista com as pessoas, com quem tiver vontade e interesse de aprender.”
MARCOS CHABACO: “O baterista é um músico que também toca com outros artistas aqui do Sul. É o baterista do Catuípe. Já acompanhou outras bandas também que fazem bailes e festas em clubes. É um cara que, quando entrou na banda, justamente por ele ter essa estrada de músico de baile, automaticamente se encaixou e se adequou ao nosso repertório. É um cara que eu já conhecia a muito tempo também. Inclusive, ele foi hold da TNT nos anos 90. É um grande músico.”
OTÁVIO MASTROBERTI: “Ele é o tecladista e cuida de toda a parte dos sons eletrônicos. Ele já tocou com bandas de cover que já fizeram muito sucesso, que praticamente abriram esse tipo de mercado aqui em Porto Alegre, que tocaram muito no Bar Opinião.”
DANIEL PIETA: “É o contra-baixista e cantor da banda. Já foi vocalista da Rola Stones, já teve outras bandas covers, por exemplo de Beattles. Enfim, já trabalhou com outros artistas de Porto Alegre.”
GABY: “É a cantora principal da banda e é uma das organizadoras e também posso dizer que ela chega até a ser uma mentora dessa qualidade que a banda tem de tocar músicas dos anos 80. Ela foi uma que bateu muito o pé na hora de definir e tocar o repertório que temos hoje.
Então, somos cinco integrantes. Cada um com uma trajetória de mais 15 anos de música.”
Como tem sido a trajetória da banda?
“Nós estreamos em novembro de 2007. Estamos com dois anos de banda. Tivemos uma trajetória belíssima até agora. Em pouco tempo a gente conseguiu registrar o nome The Polainas como uma banda que tem um bom show, um bom repertório; uma banda que faz uma festa super animada. Eu acabo chegando à conclusão de que a gente tem realmente feito um bom trabalho. Até porque Porto Alegre é uma cidade que, atualmente, tem muitas bandas, é um mercado muito concorrido. Somos uma banda contratada de uma casa, em que a gente toca 4 vezes ao mês. E dá pra contar nos dedos de uma mão bandas que tem a sorte de ter um lugar fixo pra tocar, onde se paga um cachê muito generoso, onde nós somos tratados com muito respeito. Então, temos uma trajetória de dois anos com muito êxito.
Me sinto muito orgulhoso de ter conseguido reunir esse grupo, que começou a se juntar, porque, primeiramente, eram pessoas que tinham uma qualidade artística e que iriam contribuir para um bom resultado. E é o que está acontecendo.”
Por que o nome The Polainas?
“Bah, guria, vou te contar uma pequena historinha. Meu compadre tem um amigo que, de vez em quando, vai nos churrascos, nos nossos encontros. Ele é um cara que, dentro daquele grupo de amigos – pessoal também ligado à música e tal – eventualmente acaba sugerindo nomes à algumas bandas. Aquelas ideias malucas de noitadas, de festas, em que o cara abre a boca e sai um nome bom de banda. Um dia a gente estava em uma destas festas e se comentou que esta pessoa teria dado um nome para uma banda de pagode, praticamente de uma hora pra outra: 37 não é febre. Eu fiquei pensando nesse nome, porque é uma coisa lógica e tem uma explicação. De fato, 37 não é febre. E quando a gente já estava ensaiando e eu precisava arranjar um nome pra banda, pensava em dar um nome que tivesse coerência com a proposta de trabalho que a gente estava desenvolvendo, que é colocar as pessoas para dançar. Então, pensei em alguma coisa que tivesse a ver com ‘esquentar as canelas’, porque quando a gente dança, a gente esquenta as canelas. E cheguei à conclusão de que as polainas esquentam as canelas. Na verdade, demorei bastante tempo pra engolir esse nome, apesar de ser uma sugestão minha. Mas o pessoal todo adorou e tá aí. Tá se encaixando, as pessoas gravam rapidamente e é um nome engraçado. Tem um fator que também contribui que é o fato de que polaina é uma peça bem característica daquela fase oitentista.”
Onde e como são os ensaios?
“Atualmente a gente não tem muitos encontros na semana porque todos nós temos outras atividades musicais. Como, em todo o final de semana temos show naquela casa que falei, nos comunicamos através da internet e por torpedos através do celular. Mandamos links das músicas escolhidas pra tocar no show – não mais do que duas. No dia do show a gente vai antes para o o local e chegamos com a música pronta. A gente ensaia umas duas vezes e vamo embora pro show. Já teve casos em que a gente nem passou a música antes, tocando ela direto. Então, isso é um baita de um desafio. É uma qualidade que a gente adquiriu e é um trabalho de confiança: a gente define as músicas e corre pro show pra tocar.”
Isso só é possível devido ao excelente entrosamento entre vocês, certo?
“Ah, isso é muito importante. A gente tá tocando há dois anos e a banda sofreu algumas alterações desde o nosso início. Tocar todos os finais de semana – e a gente faz isso – dá uma cancha muito grande para o artista. Todos nós estudamos os nossos instrumentos diariamente. A vocalista cuida da voz, tem uma orientadora profissional da área da fonoaudiologia. A gente cuida do nosso trabalho, da nossa saúde física e mental. Isso tudo contribui para formemos um ótimo grupo de trabalho. Claro que enfrentamos problemas eventualmente. Com frequência a gente tenta fazer conversas, encontros, para poder redefinir metas. Mas acho que até agora está tudo dando certo.”
Em relação a músicas próprias? Existe esta pretensão? Ou músicas covers é o único caminho?
“No ano passado, nós gravamos três covers – uma delas está no You Tube, é só procurar por The Polainas – que foi um passo inicial. Para o ano que vem, nossa meta é gravar uma ou duas músicas para dar um ponta a pé nesse projeto de gravar músicas autorais. Ainda não sabemos se iremos gravar músicas de composições nossas. Porque, por exemplo, eu componho, mas meu trabalho de composição não tem o perfil dos The Polainas. Nossa ideia é coletar material de amigos nossos. O Serginho Moah é um exemplo. Ele é um cara que está nos ‘devendo’ uma música de autoria dele, pra criarmos um link e ele é um amigão nosso. Temos vários amigos como Acústicos e Valvulados, Nenhum de Nós. Enfim,várias bandas de Porto Alegre. Então, a gente quer tentar puxar um material desses artistas para poder colocar a nossa cara e fazer uma aposta. Acho que a música autoral pode criar um outro grande leque para nós. É algo em que estou acreditando muito para o ano que vem. Acho que até o final do primeiro semestre teremos alguma novidade nesse sentido.”
Além da própria vontade de vocês, quem é o responsável por dar aquele gás para subir no palco e arrasar?
“Praticamente em todo final de apresentação existe manifestação das pessoas de que a nossa banda é a melhor banda de cover de Porto Alegre. Claro que isso é um respaldo do público. Então, isso é algo que me infla muito. Isso é o que me dá vontade de continuar fazendo e arriscando. É o resultado de um trabalho que está sendo feito com seriedade, com carinho, com muito amor e com muita responsabilidade. Cachê bacana, agenda cheia é só resultado disso tudo que estou falando. Quando percebo esse ‘feed back’ do público é o sinal de que a coisa está indo certo. Acho que a pilha mais forte que tenho é a do público que nos assiste, que nos acompanha, que manda mensagem, que sugere música.”
O que a banda não toparia?
“Vou te dizer uma coisa que a gente não topou há poucos dias. Como nossa banda só toca anos 80, uma casa muito bacana de Porto Alegre que nos contratou para tocar umas três vezes durante o ano em festas temáticas. Há alguns dias, um agente da casa me procurou e me disse que queriam uma banda que tocasse músicas do Rappa, Marisa Monte. Eles queriam um repertório Brasil contemporâneo. Gostaram tanto de nós que gostariam de nos ver tocando esse tipo de música. Além disso, o agente me propôs mudar o nome da banda para fazer aquela apresentação. Claro que recebi a proposta dele e não foi uma ofensa pra mim. Mas quando passei isso para o grupo, senti que ficaram um pouco ofendidos. Então acho que o que não faríamos, atualmente, é justamente abandonar esse perfil que resolvemos adotar e que está dando certo. Se fugíssemos do que nos propomos a fazer, estaríamos puxando o nosso próprio tapete.”
Como tu vês o mercado de trabalho para bandas do estilo anos 80?
“Eu vejo de uma maneira bem simples. Como eu já falei, na metade dos anos 80 eu já tocava e o que eu vi em todo esse tempo é que isso é um ciclo interminável. Vemos coisas acontecendo, coisas sendo descobertas. Essa linguagem tem um ápice, depois decai. Daqui a pouco a mídia descobre no gueto coisas novas e o que era gueto vira popular. E depois cai de novo. Acho que a coisa não para. É sempre assim, em ciclo. E de uma fase para outra, o que eu vejo é que as linguagens musicas vão absorvendo umas às outras. Por exemplo, os Acústicos e Valvulados são da década de 90, com características e influências de bandas de rock doas anos 80 – TNT é uma delas. Quando chegaram ao pico, eu percebi que tinha alguma coisa para aprender com aquilo. Comecei a criar uma paixão grande pela arte que os guris estavam fazendo e aquilo influenciou, de alguma maneira, na música que vim a fazer depois. Então, é uma corrente enorme de influências, de ideias e de comunicação que anda como se fosse numa montanha russa. E essa minha maneira de ver me ajuda muito a lidar com essas fases onde a curva está lá em baixo. O artista é assim. Vive de altos e baixos.”
Qual o perfil do fã do The Polainas?
“Diria que a faixa etária é de 25 anos para cima. Só que nos shows, a gente vê que tem uma gurizada nova não acreditando no que está vendo, que está gostando muito. As pessoas às vezes vão ao show do The Polainas a minha procura, ‘o Tchê, aquele guitarrista do TNT’, e se deparam com uma coisa totalmente nova e surpreendente. Isso encanta. É um público jovem que está descobrindo essas músicas que estamos revitalizando.”
Qual a freqüência de shows no interior?
“No ano passado eu estava conseguindo agendar uma média de dois/três shows por mês. Mas como desde março deste ano tem um contrato naquela casa de show que falei, relaxei e não vendi mais show e não fiz mais contatos. São raras as vezes que eu abro uma exceção para ir tocar. No caso de Teutônia, é bem especial. Numa festa, da qualidade que vai ter, eu me vi bem inclinado a criar condição e dar uma oportunidade para que viesse a acontecer. Estamos muito contentes e vai ser muito bacana.”