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Filhos, melhor não tê-los…

Não conheço amor melhor e maior do que o entre pais e filhos. Cada abraço que recebo do meu pai, por exemplo, lava minha alma. Mesmo sabendo desse sentimento indefinível, minha opinião sobre a maternidade não segue os padrões.

Deve ser maravilhoso o amor recíproco entre pais e filhos. Mas eu não pretendo tê-los. Acho um certo egoísmo planejar a maternidade. Com que direito eu gero uma vida para que EU possa cuidar, para que EU possa amar, para que possa ME cuidar quando EU for velhinha? Sem falar do caos em que o planeta se encontra. Poluição, violência, drogas, competitividade, ganância, superlotação… Tem gente demais nesse lugar! Acho até que é esse o principal motivo por eu ser contra.

Sei lá… Se as pessoas se contentassem com um filho por casal, já seria bem melhor. Mas não… Tem que ter um time de futebol. E o engraçado é que os mais pobres são os que mais têm. A publicação Saúde Brasil 2009, divulgada recentemente pelo Ministério da Saúde, dá conta de que a Região Norte do país registrou aumento no número de nascimentos, equivalente a 8,2%. A boa notícia é que, na média nacional, houve queda de 10% entre 2000 e 2008. Em 2000, de acordo com o estudo, houve 3,2 milhões de nascimentos no país, contra 2,9 milhões em 2008. A Região Sul registrou a maior queda, com redução de 17,7% no número de partos. O levantamento demonstrou também que diminuiu o grupo de mães adolescentes nesse período. Na faixa etária de 15 a 24 anos, a queda foi de quase 93%. Mais da metade dos partos de meninas nessa faixa etária ocorreu nas regiões Norte e Nordeste.

Além de tantas crianças passando necessidade em famílias desestruturadas, são muitas as que nem família têm. Então, por que gerar mais seres humanos, se o ato de adotar é tão simples? “Ah, mas eu quero criar um filho que tenha nascido de mim, não de uma pessoa qualquer que nem sei de onde veio”, alguns dirão. Aí, manifesta-se novamente o tal do egoísmo.

Acidentes acontecem… Os métodos contraceptivos não são totalmente seguros. Mas deixar de tomar os cuidados é o problema. Sem falar daquelas mulheres malucas que engravidam para “segurar” o casamento. E olha que são muitas. Eu conheço pelo menos quatro dessas.

Podem ficar chateados comigo e dizer que penso assim porque não tenho filhos e que com o tempo eu vou mudar, mas nada me tira da cabeça que ser mãe/pai impede as pessoas de fazer inúmeras coisas. A rotina muda. O dinheiro diminui. A intimidade entre o casal fica prejudicada. É outra vida. E você já parou pra pensar se está preparado para estas mudanças? Já pensou na responsabilidade que é educar e criar uma criança?

E eu não entendo esse modelo social de papai, mamãe e filhinhos. Não acho que você precisa ser mãe/pai para formar uma família. Você se casa ou nem chegou perto disso, e já perguntam quando terão filhos. E se eu não quiser? Você tem alguma coisa a ver com isso?

Meu pai, que mesmo nos dando muito amor, fazendo de tudo para nos dar do bom e do melhor e tentando nos educar da maneira mais aberta possível, já disse: “filhos, melhor não tê-los. Mas se não tê-los, como sabê-los?”.

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7 Responses to “Filhos, melhor não tê-los…”


  1. 1 lourdes
    15 de setembro de 2011 às 10:29

    pra comecar filhos nao sao pra gente sao por si proprios e gente que pensa como tu nao tem que ter filhos mesmo , infelizmente sua mae nao pensou a ssim senao nao teriamos vce aqui e assim pouparia o mundo de ler tanta besteira.

    • 2 Maria luiza
      2 de dezembro de 2011 às 14:58

      E a ingratidão dos filhos gente? Ninguém fala. Não ver o que uma mãe é capaz por um filho e tem filho que despreza todo o amor e dedicação e tem até vergonha da mãe e ainda, joga na cara dela que não pediu prá nascer! Os sonhos que uma mãe sonha para um filho, o que é normal qualquer mãe sonhar são destruidos pelo egoísmo, ingratidão e desamor do filho. E o filho idiota que fica falando da mãe prá se fazer de vítima para os amigos? Há! como tem filho assim! È muito difícil o amor de filho, infelizmente. Claro que existe, pois eu amo os meus pais e até hoje sou amiga e ajudo minha mãe. Mas nem sempre é assim que acontece. Desculpe o desabafo!!! É gente! Cada uma tem sua história. Não julgues, para não ser julgado…beijos! Estamos aqui…

  2. 3 Aída
    24 de setembro de 2011 às 13:44

    Concordo 100%.
    Um dia destes estava na recepção do setor de internamento de um Hospital e uma grávida estava na minha frente aguardando, quando a recepcionista virou-se para ela e disse:
    “nossa, é muito bom né! melhor coisa da vida… SE EU PUDESSE VOLTAR ATRÁS não teria, porque dá muito trabalho, mas é muito bom né…”.
    Frase com a qual mais uma mulher que também aguardava concordou plenamente…
    Ou seja: todas acham o melhor momento da vida, gostoso demais, bom demais, mas… se pudessem voltar atrás…
    Também penso que o ato de querer ter um filho é muito egoísta. Afinal, as pessoas querem ter um filho pra fazer um bem pra elas próprias: pra realizar um “sonho”, às vezes na loucura de “segurar” um casamento, pra ter alguém pra cuidar delas no futuro. Mas não pensam que vão colocar neste mundo louco e cruel uma pessoa que pode ficar sozinha caso ela morra cedo… Ah, é muito complexo… Abraços!

  3. 4 Tatiana Costa
    8 de outubro de 2011 às 20:02

    Obrigada Camila..muito obrigada.

    • 26 de outubro de 2011 às 16:54

      Virei teu fã. No meu blog (www.tripavirada.blogspot.com) tem um texto na mesma linha. Concordo 110% com você

      • 6 Débora
        1 de novembro de 2011 às 07:28

        Marco Ribeiro, amei seu blog (desculpa aí, não foi endereçado a mim, mas sou curiosa de plantão), fui fuçar e “caí” direto no assunto ref. Rock In Rio, e… ADOREI!!! Demais, demais, demais!! Me identifiquei ali. Muito bom.
        E me identifiquei aqui também. Filhos? Então… se a vida está boa sem eles, para que tê-los? Hunn… acho melhor não pagar pra ver.

  4. 7 Mariana
    30 de novembro de 2011 às 04:31

    Ter filhos está longe de ser um ato de egoísmo, é pura doação. Você deixa de ser egoísta e pensar em si próprio para pensar no bem estar do outro. O filho pode ser gerado em nosso ventre ou em nosso coração, não importa o amor e a doeção são os mesmos. Como sabiamente escreveu José Saramago: “Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como mar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai e mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente a incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!”. “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que Ele nos dá.” Salmos 127,3


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