16
maio
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Gays e direitos (ou a falta deles)

casamento-gay2Tudo que foge da zona de conforto se torna polêmica. Aborto, ateísmos, homossexualidade… Mesmo que já tenhamos evoluído muito, esses temas ainda são tabus na nossa sociedade hipocritamente obsoleta. Não acho que todas as pessoas tenham que achar agradável e concordar em número e grau com todas as crenças (ou falta delas), com todas as atitudes alheias, com todas as opções e com todos os sentimentos. O que se espera, no mínimo, quando se fala de um conjunto de seres vivos tão diferentes entre si, é que se respeite o direito do outro de ir e vir, de ser feliz, de ser livre, de não ter que se esconder.

Não é porque você tem amigos gays, defende os homossexuais quando ouve piadinhas infames e acredita que eles têm todo o direito, sim, de andar de mãos dadas na rua como qualquer hétero, que você se torna um. Já ouvi coisas do tipo: “uma hora a Camila vai aparecer com uma namorada…”, só porque não admito que tirem sarro de uma coisa que deveria ser tratada com naturalidade. Nesses momentos o preconceito atravessa os ofendidos e atinge a mim, que peço que simplesmente guardem pensamentos incoerentes para si. Se é contra casamento gay, que não se case com alguém do mesmo sexo. Mas não se pode admitir que, por esse motivo, não permita o direito a quem o deseja.

O preconceito é tão enraizado que muitos nem se dão conta. Um exemplo é a referência de “pessoa normal” aos heterossexuais. Você já deve ter dito ou ouvido algo do tipo: “Ele é gay? Achei que fosse homem!” Como assim, meu povo? O cara não vai deixar de ser homem porque tem uma orientação sexual diferente da maioria. O sexo dele é o mesmo e continua sendo um cidadão, digno de respeito. E o pior é que o mesmo cara que diz ter nojo é aquele que compra filmes pornôs ou revistas com garotas se tocando. Aí tudo bem? Não faz sentido.

Um amigo meu um dia me disse que sua maior frustração é ser gay. Ele disse que queria poder escolher e não passar por todo o sofrimento. E ainda tem gente que trata o homossexualismo como escolha. Me diga, hétero tão superior: você escolheria não poder mandar mensagens de carinho em redes sociais ao namorado para não ser motivo de chacota? Você escolheria não poder andar de mão dadas na rua com quem ama, para não ser olhado com desgosto? Você escolheria não poder trocar carinho em público para não correr o risco de ser linchado? Você escolheria não poder se quer adotar um filho porque a bela constituição não permite?

Outra coisa que já ouvi é que os gays protestam contra o tal do Feliciano e não vão às ruas por causas maiores, como os políticos corruptos. Existe causa maior do que exigir o repeito da sociedade? E aí eu digo mais. Quem critica o movimento é quem não se informa, quem não tira a bunda da cadeira, quem não acompanha nem os vereadores da própria cidade… Quem critica não tem a mesma cara e coragem dos que trata com desprezo. Tome como exemplo. Vá para a rua então protestar contra o que acredita e de fato tentar mudar alguma coisa. Críticas vazias, baseadas em conceitos furados, não agregam em nada.

Me senti muito feliz nessa semana quando li que a partir de hoje o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) permite o casamento civil entre homossexuais no Brasil. É um enorme avanço e uma conquista para quem tanto luta pela igualdade de direitos. Conforme o Terra, a resolução apenas obriga todos os cartórios a celebrarem o casamento civil a pessoas do mesmo sexo da mesma forma como é celebrado a casais heterossexuais. No entanto, “ela não legaliza o casamento gay no País, já que, para isso, o assunto deveria passar por votação como lei no Parlamento. Para o deputado Jean Wyllys, ‘o Congresso Nacional não legisla’. ‘E não vai fazer isso (votar uma emenda constitucional que legalize o casamento homossexual) porque, embora os fundamentalistas religiosos não sejam maioria, os conservadores são quase maioria’, disse ele.”

Tenho argumentos para escrever o dobro dessas linhas, inclusive no âmbito religioso. Mas não quero, com esse texto, mudar a opinião de ninguém. Proponho apenas a reflexão, a empatia, o entendimento… Ninguém é menos que ninguém por causa do que sente. O amor é tão lindo. Seja ele entre um homem e uma mulher. Seja ele entre dois homens ou entre duas mulheres.

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