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14
jan
13

Tatuagens

Ter o corpo marcado por tatuagem é ainda um tabu. Divide opiniões e gera até discussões. Eu considero bem-vinda toda a forma de expressão. Se expressar através do corpo é cultuá-lo e se apropriar dele.

A minha primeira foi em 2009. Uma clave de sol no pulso direito. A música me alimenta, me renova, me compõe. Ela é parte de mim. Meu namorado tem uma igual, no mesmo lugar. É uma marca que vou levar pra vida inteira. É bem provável que, se algo der errado no relacionamento, eu vá lembrar dele a cada vez que olhar para ela. Mas são marcas, assim como as cicatrizes, que fazem parte do meu ser. Sou a favor desse tipo de tatuagem. Agora, nunca tatuaria o nome ou a imagem de alguém. Tatuagem é pra sempre. E as relações podem não ser.

Sábado tatuagemfiz minha segunda tattoo. São três corações vermelhos, logo a baixo da panturrilha. Achei o desenho bonito, com aspecto retrô. E se eu “sou feita pro amor da cabeça aos pés”, cabe bem, né?

Algo que não posso deixar de falar é sobre a qualidade do trabalho quando se decide tatuar. Já vi cada coisa absurda. Eu, particularmente, não entendo como alguém consegue fazer em lugares sem o mínimo de estrutura, sem higiene, sem esterilização. Há quem se guie pelo valor. Eu acho que esse tipo de coisa, que ficará permanentemente, não tem preço. Antes algo mais caro e de qualidade, do que barato e ruim.

E a dor? Ah, não posso dizer que não dói. Chega uma hora em que o corpo é tomado por uma agonia tão grande que dá vontade de sair correndo. Mas a gente acostuma.

Se farei outras, só o tempo dirá. Já tenho ideias. Mas são ideias. Tatuagem não sai com água e sabão e é preciso ter muita certeza do que vai se eternizar no próprio corpo.

10
jan
13

Ventila dor

“O ventilador ventila meus pensamentos para fora do meu cérebro e eles perdem-se, sacada do apartamento a fora, em meio aos galhos da cerejeira que apontam ao infinito escuro do céu encoberto por nuvens sombrias que dividem o espaço com uma lua que mais parece fatias de queijo derretidas, anunciando chuva para daqui a dois dias.

Os pensamentos vagam e o silêncio da noite potencializa os acentos, as vírgulas, os pontos de exclamaçao e de interrogação que dão ritmo aos versos oriundos de palavras estirpadas à fórceps da memória que externiza os pensamentos ventilados pelo ventilador pendurado num teto claro e iluminado pela luz do abajur lilás que jas sobre a mesa de entulhos catados na sustentabilidade da cidade que vive e morre, dias e noites, presa a seus conceitos preconceituosos e aos pensamentos dos que não percebem a brisa, o vento.

O ventila dor ventila a dor…”

Por Paulo Ricardo Diesel

 

07
jan
13

Eu só queria um picolé…

Sorvete não causa resfriado no invernoTarde quente. Muito quente. Ao voltar ao carro depois da Unidade Móvel, vi um freezer recheado de picolés. Entrei no açougue, escolhi o melhor sabor, me dirigi ao caixa. A senhora, conversando com sua comadre, não me olhou, não me cumprimentou, nem me agradeceu pela preferência. Paguei e fui embora. Ao entrar no carro e dar partida percebi que a consistência do gelado estava estranha. Ao verificar a data… vencido. Fiz a quadra para voltar ao estabelecimento. Sabe como é estacionar em Lajeado, né? Encontrei um local há três quadras. E quente… Muito quente… De boa vontade eu informei à tal senhora que o produto havia passado da validade. Com o nariz torcido, ela me disse pra escolher outro. Não havia outra opção para aquele valor. Escolhi um que custava R$ 0,25 a mais. Ao checar meus bolsos, lembrei que a bolsa ficou no carro. E a tal senhora disse: “É, vai ter que ir buscar, esse é mais caro!!” Saí em direção ao carro. E quente… muito quente… Dei uns cinco passos e percebi que não valia a pena andar seis quadras naquele calorão e ainda dar lucro a quem não merecia. Voltei e informei a senhora da minha da decisão. De muitíssimo mal gosto ela coletou as moedas no caixa e disse: “eu não precisava nem te devolver esse dinheiro. Se fosse em outro lugar não devolveriam”. E eu disse: “Como não? Vocês me venderam um produto estragado e eu que tenho que arcar?”. Até agora tento entender o que a senhora quis dizer quando respondeu: “Eu não vendi nada estragado!”. Pra encerrar aquela situação falei: “tá bom. Só devolve meu dinheiro que eu preciso trabalhar”. E eu só queria um picolé….

 

 

25
dez
12

O Natal e suas incoerências

Eu posso parecer negativa demais e descrente demais. Mas a cada ano o sentimento bom do Natal morre um pouco dentro de mim. A gente espera que, em datas como essa, algumas pessoas sejam menos arrogantes, menos mesquinhas, menos indigestas. Só espera.

Não espere que as pessoas sejam honestas, humildes ou bacanas. Se elas não forem assim durante os 364 dias do ano, não se iluda que serão em um dia só porque é Natal. Podem fazer de conta, mas de verdade não é….

Até gosto de presentear os que amo, dentro do meu limite financeiro, mas é porque é verdadeiro, é real, é de coração. É para que as pessoas que fazem meus dias mais alegres saibam o quanto elas são importantes para mim… e é isso.

O que não aguento mais é ver tanta incoerência. As lindas propagandas de televisão, as mensagens de Natal nas rádios, os anúncios nos jornais… Duvido que seja pela beleza da data. É sim uma oportunidade vender mais, consumir mais e fixar a marca ainda mais… e é isso.

E se as pessoas precisam mesmo “acreditar em coisas invisíveis pra fazer o bem”, como diz uma música do Pato Fu, e se essa data mudar algo dentro de você continue nesse raciocínio, nessa mudança de atitude nos próximos 365 dias…

12
dez
12

Agridoce

Não sei porque demorei tanto para conhecer o Agridoce (trabalho paralelo da Pitty com seu guitarrista Matin). O dia de chuva me inspirou a procurar algo novo e esbarrei no Agridoce. E que excelência!!!

Sempre fui fã da Pitty. Minha admiração cresceu ainda mais. Ideal para ouvir em dias cinzas como hoje. Bom também para dias de sol. Leve, terno, sereno, sensível, melancólico, reflexivo e introspectivo, Agridoce reúne a sonoridade perfeita aos meus ouvidos.

Esse álbum vai na contramão de toda a estrada trilhada pela roqueira até então. E nem por isso deixa de ter atitude. Admiro esse tipo de artista que sai de seu mundinho cômodo para arriscar e, nesse caso, acertar.

Violão, piano e a voz suavizada de Pitty… Uma mistura de doce e amargo… Melancolia com um fundo de desespero. Desespero com um fundo de esperança… Agridoce faz jus ao nome. Adorei e recomendo!

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Alguns trechos:

“Você sabe a desordem é tenaz

Tantos laços, tantas amarras

Os controles, pretensões

Nada adianta se o vento não soprar

Esse vento sob minhas asas eu não mando mais em nada

Sei que é alto, mas eu vou pular…

O que todos vão dizer? e aonde vão chegar?

Nem os olhos podem ver”

.

“Da janela o corredor 20 passos

Um cigarro, a mesma cor

Um dia pra gastar

Quantas portas pra fechar lavar o cheiro e o gosto

Foi sem hora pra voltar

Feche os olhos quando eu for mostrar o meu mundo pra você que está sempre aqui

Em tudo o que existe ao meu redor”

.

“Foi-se o tempo do sonhar

Já é hora de dormir

O sol chegou e quebrou

Nada que eu possa inventar

Artifício ou ilusão

Pra fazer ser noite outra vez

Ah não vá embora

Ah não vá embora”

.

“Não me leve agora

Eu não quero ir embora

Tenho tanto o que fazer

Tenho um filho pra ter

Tenho motivos pra crer

Que ainda não é hora

Todos rumo ao ocaso

Sem nunca ter escolhido

Não é questão de sorte

É jogo vencido”

.

“Esqueci minha boca no teu corpo

Pensei que isso te faria meu

Usei de artifícios, gastei meus truques

Depois, quem escapou fui eu

Não pense que eu não desejei

Não diga que eu não quis

É só que eu me assustei

Ao me ver tão feliz”

.

27
nov
12

E nasceu a Radiola

A graduação me proporcionou neste semestre uma oportunidade ímpar. Nas duas disciplinas que estou cursando (Estágio Supervisionado e Comunicação Comunitária), tive que, juntamente com colegas, elaborar projetos e colocá-los em prática. Uma das propostas era de reativar a rádio interna da Escola Estadual de Ensino Médio Reynaldo Affonso Augustin, em Teutônia. E foi gratificante por demais!

Pude sentir novamente como é ter um primeiro contato com o mundo da comunicação. Ao ver os adolescentes criando, buscando informações, gravando e discutindo a programação, voltei no tempo e revivi minha primeira experiência. Era uma rádio comunitária (Comunidade FM) e tudo começou como uma brincadeira. No início não queria, mas acabou se tornando o maior objetivo da minha vida. Então, se um dos 15 alunos acabar seguindo o rumo do jornalismo já ficarei feliz.

Proporcionamos aos estudantes do Augustin a oportunidade de ter voz na escola, de discutir assuntos e serem ouvidos. Uma rádio escolar, além de contribuir para enriquecimento curricular, é um instrumento democrático de comunicação. O projeto que propomos proporciona um espaço em que a escola escute seus educandos, descubra quais são seus interesses e perceba suas necessidades.

A escola já contou com uma rádio, mas acabou não sendo levada adiante. O desejo existia. A vontade também. No entanto, faltava um ponta-pé inicial para acender nos alunos a motivação que precisavam.

Vê-los vidrados em frente ao computador, produzindo, se dedicando, foi o maior presente. Poder sair do universo da sala de aula e contribuir com o mundo externo foi o que mais me contentou. É gratificante perceber que nossa proposta terá continuidade, ou que pelo menos há uma grande inclinação para tal.

A “Radiola” nasceu. E só depende dos alunos a continuidade. Assim como dependeu de mim seguir o jornalismo. E eles têm um potencial enorme!

13
nov
12

A roda da vida

“Um dia se está em cima

no outro se está em baixo

É a roda da vida…

Só sei que descer

é o que me faz subir

porque se eu permanecer no topo

não tenho mais pra onde ir.”

[Juhliana Terra]